


The first time I visited the island of São Vicente was in 2019.What interested me most was the informality in the architecture and the occupation of the territory, a landscape where concrete buildings stand against the arid mountain terrain like sculptures.
I returned multiple times over the following years to São Vicente, Santo Antão and Santiago, already with a clear sense of what I was looking for, but with no plan, letting the territory and what I came across inform me about what to photograph.
Most of the constructions I photographed share the same impulse: the dream of a promised future. The unfinished buildings begun for a tourism cycle that is yet to arrive; the diaspora houses, built incrementally, as remittances arrive from abroad; the houses that grow with families, with the concrete frames left on rooftops waiting for a floor that will come when there are resources or when the family expands.
The building does not need to be finished to be inhabited. The dream anticipates the building by years, sometimes by generations. The result is a suspended landscape, neither ruin nor completed work, where concrete and volcanic rock share the same colour, the same weight, dissolving into each other.
The occupation of territory, the appropriation of individual space, the confrontation between the built and nature: these are questions that run through my work since Man Made (2018), the books As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) and Bijagós: Património Arquitectónico (2016).
In those projects, architecture precedes photography, designed with programme and form, resisting the traces of time and use. Photography looks for what that form reveals. In Cabo Verde construction is mostly informal, vernacular, anonymous, without a prior project; here it is the photographer’s eye that organises space and proposes a reading of the built landscape.
Quando visitei pela primeira vez a ilha de São Vicente em 2019, o que mais me interessou fotografar foi a informalidade na arquitectura e ocupação do território, numa paisagem em que os edifícios em betão marcavam o ambiente árido das montanhas, quase como peças escultóricas.
Fui voltando várias vezes nos últimos dois anos às ilhas de São Vicente, Santo Antão e Santiago, já com uma ideia relativamente fechada do que procurava, mas sem um programa definido, deixando que o território, e o que nele encontrava, me informasse sobre o que devia fotografar.
A maioria dos edifícios que fotografei partilha o mesmo motor: o sonho de um futuro prometido. As construções inacabadas à espera de um ciclo de turismo que não chegou; as casas da diáspora, construídas ao longo de anos de forma faseada, com as poupanças enviadas do estrangeiro, interrompidas quando o dinheiro acaba e retomadas quando volta; e as casas que crescem com as famílias, deixando as armações de ferro do betão nas coberturas à espera de um piso que virá quando houver recursos ou quando a família aumentar.
A obra não precisa de estar concluída para ser habitada. O sonho antecede a obra por anos, às vezes por gerações. O resultado é uma paisagem em suspenso, nem ruína nem obra concluída, onde o betão e a pedra vulcânica têm a mesma cor, o mesmo peso - as fronteiras entre um e outro diluem-se.
A ocupação do território, a apropriação do espaço individual, o confronto entre o construído e a natureza são questões que percorrem o meu trabalho pessoal desde a exposição Man Made (2018) e os livros As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) e Bijagós: Património Arquitectónico (2016).
Nesses trabalhos, a arquitectura precede a fotografia, desenhada e projectada com programa e forma definidos, resistindo ao passar do tempo e à ocupação. A fotografia procura o que essa forma revela. Em Cabo Verde a construção é na sua maioria informal, vernacular, sem projecto anterior, sem uma autoria informada; aqui é o olhar do fotógrafo que organiza o espaço e propõe uma leitura da paisagem construída.

Francisco Nogueira
July 2026

"Formal Informal" exhibition in Arquivo Aires Mateus, Lisbon, July 2026



































































































The first time I visited the island of São Vicente was in 2019.What interested me most was the informality in the architecture and the occupation of the territory, a landscape where concrete buildings stand against the arid mountain terrain like sculptures.
I returned multiple times over the following years to São Vicente, Santo Antão and Santiago, already with a clear sense of what I was looking for, but with no plan, letting the territory and what I came across inform me about what to photograph.
Most of the constructions I photographed share the same impulse: the dream of a promised future. The unfinished buildings begun for a tourism cycle that is yet to arrive; the diaspora houses, built incrementally, as remittances arrive from abroad; the houses that grow with families, with the concrete frames left on rooftops waiting for a floor that will come when there are resources or when the family expands.
The building does not need to be finished to be inhabited. The dream anticipates the building by years, sometimes by generations. The result is a suspended landscape, neither ruin nor completed work, where concrete and volcanic rock share the same colour, the same weight, dissolving into each other.
The occupation of territory, the appropriation of individual space, the confrontation between the built and nature: these are questions that run through my work since Man Made (2018), the books As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) and Bijagós: Património Arquitectónico (2016).
In those projects, architecture precedes photography, designed with programme and form, resisting the traces of time and use. Photography looks for what that form reveals. In Cabo Verde construction is mostly informal, vernacular, anonymous, without a prior project; here it is the photographer’s eye that organises space and proposes a reading of the built landscape.
Quando visitei pela primeira vez a ilha de São Vicente em 2019, o que mais me interessou fotografar foi a informalidade na arquitectura e ocupação do território, numa paisagem em que os edifícios em betão marcavam o ambiente árido das montanhas, quase como peças escultóricas.
Fui voltando várias vezes nos últimos dois anos às ilhas de São Vicente, Santo Antão e Santiago, já com uma ideia relativamente fechada do que procurava, mas sem um programa definido, deixando que o território, e o que nele encontrava, me informasse sobre o que devia fotografar.
A maioria dos edifícios que fotografei partilha o mesmo motor: o sonho de um futuro prometido. As construções inacabadas à espera de um ciclo de turismo que não chegou; as casas da diáspora, construídas ao longo de anos de forma faseada, com as poupanças enviadas do estrangeiro, interrompidas quando o dinheiro acaba e retomadas quando volta; e as casas que crescem com as famílias, deixando as armações de ferro do betão nas coberturas à espera de um piso que virá quando houver recursos ou quando a família aumentar.
A obra não precisa de estar concluída para ser habitada. O sonho antecede a obra por anos, às vezes por gerações. O resultado é uma paisagem em suspenso, nem ruína nem obra concluída, onde o betão e a pedra vulcânica têm a mesma cor, o mesmo peso - as fronteiras entre um e outro diluem-se.
A ocupação do território, a apropriação do espaço individual, o confronto entre o construído e a natureza são questões que percorrem o meu trabalho pessoal desde a exposição Man Made (2018) e os livros As Roças de São Tomé e Príncipe (2013) e Bijagós: Património Arquitectónico (2016).
Nesses trabalhos, a arquitectura precede a fotografia, desenhada e projectada com programa e forma definidos, resistindo ao passar do tempo e à ocupação. A fotografia procura o que essa forma revela. Em Cabo Verde a construção é na sua maioria informal, vernacular, sem projecto anterior, sem uma autoria informada; aqui é o olhar do fotógrafo que organiza o espaço e propõe uma leitura da paisagem construída.

Francisco Nogueira
July 2026

"Formal Informal" exhibition in Arquivo Aires Mateus, Lisbon, July 2026

































































































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